sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Primeiro Intercom

Estive presente na última edição do Intercom Sudeste. Para quem não conhece, o Intercom é um congresso realizado em algumas regiões do Brasil, que através de seminários, oficinas e palestras, busca o debate e soluções para a Comunicação. O tema esse ano aborda “Comunicação, Educação e Cultura na era Digital”.
Ansioso, como um adolescente que passa a noite em claro na véspera de receber a tão sonhada carta de direção, e tenso como um pai que espera o filho chegar da balada, lá fui eu para o congresso! Nos dias que antecederam o congresso, pude experimentar o infinito de possibilidades que nossa mente é capaz de, em pensamento, produzir nos dando  sensações mais que reais. Acho que nunca li tanto como nestas ultimas semanas, não sei se por insegurança, ou por necessidade de entender mais a fundo o assunto.
Por sorte do destino, ou quem sabe uma conexão além da percepção humana, algumas das matérias da faculdade tratavam do mesmo tema do congresso, e algumas dessas personalidades que estariam no evento como palestrante, eram como mitos para mim. Um deles, o Muniz Sodré, de quem eu ouvia alguns professores falar, que era um monstro da comunicação comunitária, etc e tal.
Impressionante como somos capazes de criar em nossa mente, expectativas das mais diversas quando não conhecemos, não temos informações, nem experiências anteriores sobre a situação que iremos enfrentar. Digo isso, pois antes do congresso criei na minha cabeça um perfil que eu acreditava que seria, por exemplo, o perfil dos alunos que estariam no congresso. Primeiro engano!Imaginei que encontraria estudantes politizados, usando aquela calça jeans surrada e preocupados com o futuro da comunicação no País. Ao contrário do que eu imaginei, vi estudantes refinados, imponentes, com seus lap top e suas roupas de grife, que contrastavam com a essência do evento.
No salão principal estava eu, ansioso esperando o início da mesa de debates principal com o mitológico Muniz Sodré. Em dado momento da minha espera, me vi viajando em Cercas e janelas de Naomi Klein, onde ela narra um pouco do contraste que foi o fórum Social em Proto Alegre em 2001. Na ocasião Naomi fala sobre as divisões, as hierarquizações que ocorreram no congresso, coisas do tipo área vip para políticos desfilarem com suas esposas em vestidos de gala, salas reservadas, estrutura de primeiro mundo.
Imediatamente fiz um link com a realidade que eu vivia no momento, não me deparei com área vip nem muito menos com políticos e seus enfeites. Mais pairava no ar um glamur e uma sofisticação que não eram congruentes com o congresso. As acomodações do auditório principal era um luxo só, além de confortabilíssima eram gigantes, o que me fez questionar se no lugar delas não poderiam estar cadeiras mais simples, porém que pudessem acomodar mais pessoas. As oficinas eram bem restritas com turmas de no máximo 20 alunos, que tiveram 24 horas para efetuarem as inscrições. Não posso omitir que a oficina da qual eu participei foi espetacular, superando literalmente todas as minhas expectativas.
Na soma de todos os prós e contras o congresso ao meu ver foi muito enrriquecedor para minha formação e para minhas futuras pretensões na área acadêmica. Só o que me intrigou foi o fato de que em um  congresso que busca a democratização, a inclusão e formas alternativas de se pensar a comunicação, vi apenas um grupo seleto que tem acesso a informação, mais que na verdade mantém ela guardada, fazendo circular sempre que este lhe for necessário.

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