sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Nocauteado por José Padilha

lDepois de muitas tentativas frustradas, enfim consegui assistir hoje ao filme Tropa de Elite 2. Confesso que mesmo conhecendo já todos os problemas abordados no filme, seus personagens e toda a sua história e conjuntura, saí da sala de cinema com a sensação de um soco no estômago e com uma raiva que mesmo horas depois de encerrada a sessão, continua a latejar em meus neurônios. Essa raiva que no início era de ordem fisiológica, agora se tornou uma ira racional. Digo isso por que não consigo parar de me questionar sobre quais os motivos que levaram a exibição do filme, ter sido feita só depois das eleições. O filme já estava a mais de um mês pronto, inclusive sua estreia, estava marcada para setembro. Gostaria de ter a oportunidade de ficar cara a cara com José Padilha, e perguntar a ele bem diretamente o motivo pelo qual essa excelente produção, não foi exibida antes. Será que o poderoso e podre sistema do qual o filme fala na maior parte do tempo, é o mesmo sistema que possibilitou a produção da obra? Essa questão que tanto ronda minha mente, clarividêncio eu, que nem mesmo o autor saberia responder.
Toda a produção e pós-produção do filme, é impecável, sem ter muito o quê falar á respeito, a não ser tecer elogios. Impressionante a capacidade que Padilha e sua equipe possuem, de em um filme de ficção, retratar tantas verdade que estão aí claras para os olhos dos que não negam a verdade nem os fatos. Para as mentes que não se deixam enganar por discursos moralistas, e nem estão imersos em pré-conceitos guiados por uma hipocrisia que acaba por cegar e criar uma realidade totalmente inexistente. Apesar de ser uma obra de ficção, vi personagens que mais se assemelhavam com figuras públicas do que com personagens “fictícios”, percebi em alguns diálogos “fictícios” as mesmas palavras que amigos próximos usam em seus discursos, percebi em algumas cenas “fictícias” imagens estampadas em jornais diariamente e que circulam todos os dias pela internet. Enfim, Tropa de Elite é um filme de ficção, que está mais próximo da realidade do que todos nós.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A pior miséria é a emocional


Acabei de ler dois livros do Augusto Cury, para os que não conhecem este maravilhoso escritor, Cury é um psiquiatra que vem ao longo dos anos tentando decifrar o mais espetacular e fascinante universo existente; o universo interior do ser humano. Augusto busca em seus escritos, de uma forma simples e ao mesmo tempo mágica, desvendar todos os mistérios da alma humana, motivando seus leitores e explanando o quão maravilhoso é o ser humano. Segundo ele, nós seres terrenos, vivemos imersos muitas vezes em pensamentos negativos que não permitem o desenvolvimento da nossa inteligência emocional.
O homem ao longo dos milhares de anos passados conseguiu as mais fascinantes conquistas no campo da ciência, da economia, da produção agrícola, da medicina, entre outros tantos campos do saber. Porém infelizmente no campo emocional, somos ainda meros aprendizes e reféns cada vez mais do nosso emocional.
Desde a invenção da roda, o homem não parou mais de inventar, desvendar e aperfeiçoar as diversas técnicas existentes, mas em algum momento esqueceu, de si mesmo. Deixou de entender o que na verdade fez, impulsionou todo esse movimento. Passamos os nossos dias em busca da tão sonhada felicidade, mas esquecemos a todo o instante que ela não está nas conquistas palpáveis, nem nos carros de luxo, muito menos nos dígitos da nossa conta bancária.
Por mais que isso pareça tolo e infantil, a felicidade está no cerne das coisas comuns. A tão sonhada felicidade está dentro de cada um de nós, está na beleza da natureza, no sorriso de uma criança, em uma flor que desabrocha muitas vezes em um solo castigado, está na verdade em diversos lugares, basta que você esteja disposto a vê-la e a busca-la. Infelizmente não é o que muitos procuram nem muito menos estão dispostos a ver.
A cultura do hedonismo, do prazer imediato e a qualquer custo, somado com uma sociedade hipermoderna e de relacionamentos e relações líquidas como analisa bem o grande Zygmunt Bauman, nos faz acreditar cada vez mais que a felicidade está nas coisas que podemos comprar, no desejo que podemos realizar, e não em um lugar tão perto como no nosso próprio interior.
O dia em que o ser humano parar e olhar para dentro de si mesmo, contemplar e aceitar que mesmo com toda a sua imperfeição, ele é a coisa mais maravilhosa e extraordinária que existe na imensidão do universo, talvez não tenhamos mais tempo para guerras, talvez a miséria desapareça da face da terra, e talvez quem saiba, ele enfim compreenda que a pior miséria, não é a financeira, e sim a miséria emocional.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Fim ou um novo início?

Por Otavio Augusto Moreira da Cunha

Existem muitas pessoas que acreditam que o jornal impresso está com os seus dias contados. Muito se fala das novas tecnologias e nos seus efeitos a curto e a longo prazo. Outras pessoas como eu, apostam que o jornal está mais vivo do que nunca, e que a tendência não é o desaparecimento do jornal impresso, pelo contrário, clarividêncio eu, um futuro longo e duradouro ao jornal impresso. Como imaginar o fim de um dos mais confiáveis veículos de comunicação que temos? Devemos antes de tudo entender que ao longo do aparecimento e do desenvolvimento das novas tecnologias de comunicação, houve sempre uma adaptação do veículo antecessor, para com o novo meio. Ou seja, o surgimento da TV, não pôs fim ao rádio, pelo contrário em cidades do interior o rádio ainda é o único veículo de comunicação da população local. Pensar que o jornal impresso está com os seus dias contados por causa dos avanços das tecnologias da Comunicação, á meu ver, é um olhar pessimista e ignorante( ignorante no sentido de que desconhece a própria História da Comunicação ) de um futuro de infinitas possibilidades. O jornal faz parte da cultura da humanidade, o hábito de acordar e ler o jornal ao tomar o café da manhã, é um hábito que sempre foi passado de gerações em gerações, e continua até hoje sendo disseminado em milhares da lares ao longo do planeta. O jornal está tão inserido dentro da sociedade em termos culturais que chego a pensar: o que seria das donas e donos de animais de estimação que utilizam o jornal do dia anterior para seus bichinhos fazerem suas necessidades? Números como os apresentados pela câmara do senado onde 54% da população nacional nunca usou um computador e 67% nunca navegou na internet são dados relevantes que nos levar a pensar que muito poucas pessoas tem acesso a internet sem falar que ainda é muito alto o número de analfabetos no mundo. Em relação aos anunciantes que são a base da economia dos jornais, apesar de haver uma queda no em relação ao faturamento com a publicidade nos jornais impressos, o lucro que os sites dos veículos conseguem devido a credibilidade da marca impressa, são infinitamente maiores que as perdas do impresso. No New York Times a queda em publicidade caiu 3% em contrapartida o faturamento com anunciantes do site do jornal lucraram 16% com os mesmos anunciantes. Muitas das pessoas que tem acesso à internet concordam que as notícias veiculadas na rede são de baixo conteúdo, ou seja, o texto muitas vezes não passa credibilidade nem fornece a informação procurada pelo leitor. O jornal impresso além de ser um veículo que tem credibilidade, ele se aprofunda muito mais na apuração do fato, tem uma preocupação em chegar ao mais próximo da veracidade do noticiado. Em um país como o Brasil, onde as desigualdades sociais, a hipocrisia e a corrupção continuam sendo a tônica da sociedade, acredito eu que o jornal impresso está muito longe de ter seu fim, de passar a ser apenas uma lembrança na mente de leitores saudosistas. Com toda a bandalheira que existe nos órgãos públicos, nas instituições de um modo geral, duvido muito que as pessoas deixem de comprar o jornal e passem a se informar através do uso de novas Tecnologias da Informação. Ao meu ver, as novas tecnologias, vem para somar, com a sua chegada os jornais tendem a cada vez mais aprofundar, apurar e manter a qualquer custo o status que alcançou ao longo de todo o seu surgimento.

Estudante de Comunicação Social - Editor de vídeo - Cinegrafista

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

guerreiros
guerreiros 1

porcos fardados
guerreiros 10
"Nós, sem-teto, estávamos desde o final de maio na rua, devido à interdição do prédio que ocupávamos, na Rua Gomes Freire 510, pela prefeitura(movendo ação judicial), após um incêndio criminoso que atingiu apenas alguns dos andares, ocupamos outro prédio abandonado, na Rua Mem de Sá 234 (próximo à Praça da Cruz Vermelha). Foi uma questão de urgência, já que estávamos sofrendo as maiores exposições com bebês recém nascidos(!!) , idosos e crianças na marquise da nossa antiga moradia e ainda estávamos sendo ameaçados de expulsão dali para terça feira (23/06). Tivemos nosso pedido de cadastro no aluguel social negado pelo Município. Mas o Estado reconheceu a situação limite e cedeu após a pressão política da nova ocupação. Agora o proprietário do imóvel, o INSS, moveu uma ação de reintegração de posse aprovada pela juíza Claudia Neiva da 14ª Vara Federal Cívil, programada para acontecer em qualquer hora do dia ouda noite(como consta na ordem judicial) com a ação da Policia Federal. Sabemos que desde 2002 o Governo Federal promete implementar um programa de transformação de prédios da União(a qual pertence o INSS) abandonados em moradia para famílias de baixa renda. Por que então pretendem botar famílias na rua sendo que o próprio Governo do Estado reconheceu essa questão urgente? Essa é a política de moradia aos trabalhadores: crianças, recém nascidos, idosos, mulheres e homens na rua, sem qualquer oportunidade. A tríplice aliança do governo Federal, Estadual e Municipal(apresentados pelas figuras de Lula, Sérgio Cabral e Eduardo Paes) move choques de ordem e a suposta ?revitalização? do centro do Rio, que não passa de uma suja parceria de especulação imobiliária e empresas privadas disposta a expulsar a população pobre daqui. Esperamos ser ouvidos, ser um exemplo de resistência e pedimos aos trabalhadores e trabalhadoras dacidade que se organizem em solidariedade a nós!
charge petrobras


Essa charge, que pode ser encontrada no blog DIALÓGIGO http://dialogico.blogspot.com/2009/06/midia-e-petrobras.html mostra um pouco da verdade por trás de todo esse debate gerado com a publicação do blog Fatos e Dados da empresa Petrobrás. A preocupação não é a liberdade de informação, nem muito menos questões ligadas ao campo ético ou moral no Jornalismo. A verdade nua e crua, se resume a um redirecionamento do foco que antes do blog Dados e Fatos, apontava para um período onde a Petrobras viria a ter muita dor de cabeça. Em uma brilhante manobra, acredito eu,  proposta pelo Departamento de Comunicação da empresa, a Petrobras consegue tirar o foco da CPI, e trás ele para um assunto bem mais interessante para a empresa.

Primeiro Intercom

Estive presente na última edição do Intercom Sudeste. Para quem não conhece, o Intercom é um congresso realizado em algumas regiões do Brasil, que através de seminários, oficinas e palestras, busca o debate e soluções para a Comunicação. O tema esse ano aborda “Comunicação, Educação e Cultura na era Digital”.
Ansioso, como um adolescente que passa a noite em claro na véspera de receber a tão sonhada carta de direção, e tenso como um pai que espera o filho chegar da balada, lá fui eu para o congresso! Nos dias que antecederam o congresso, pude experimentar o infinito de possibilidades que nossa mente é capaz de, em pensamento, produzir nos dando  sensações mais que reais. Acho que nunca li tanto como nestas ultimas semanas, não sei se por insegurança, ou por necessidade de entender mais a fundo o assunto.
Por sorte do destino, ou quem sabe uma conexão além da percepção humana, algumas das matérias da faculdade tratavam do mesmo tema do congresso, e algumas dessas personalidades que estariam no evento como palestrante, eram como mitos para mim. Um deles, o Muniz Sodré, de quem eu ouvia alguns professores falar, que era um monstro da comunicação comunitária, etc e tal.
Impressionante como somos capazes de criar em nossa mente, expectativas das mais diversas quando não conhecemos, não temos informações, nem experiências anteriores sobre a situação que iremos enfrentar. Digo isso, pois antes do congresso criei na minha cabeça um perfil que eu acreditava que seria, por exemplo, o perfil dos alunos que estariam no congresso. Primeiro engano!Imaginei que encontraria estudantes politizados, usando aquela calça jeans surrada e preocupados com o futuro da comunicação no País. Ao contrário do que eu imaginei, vi estudantes refinados, imponentes, com seus lap top e suas roupas de grife, que contrastavam com a essência do evento.
No salão principal estava eu, ansioso esperando o início da mesa de debates principal com o mitológico Muniz Sodré. Em dado momento da minha espera, me vi viajando em Cercas e janelas de Naomi Klein, onde ela narra um pouco do contraste que foi o fórum Social em Proto Alegre em 2001. Na ocasião Naomi fala sobre as divisões, as hierarquizações que ocorreram no congresso, coisas do tipo área vip para políticos desfilarem com suas esposas em vestidos de gala, salas reservadas, estrutura de primeiro mundo.
Imediatamente fiz um link com a realidade que eu vivia no momento, não me deparei com área vip nem muito menos com políticos e seus enfeites. Mais pairava no ar um glamur e uma sofisticação que não eram congruentes com o congresso. As acomodações do auditório principal era um luxo só, além de confortabilíssima eram gigantes, o que me fez questionar se no lugar delas não poderiam estar cadeiras mais simples, porém que pudessem acomodar mais pessoas. As oficinas eram bem restritas com turmas de no máximo 20 alunos, que tiveram 24 horas para efetuarem as inscrições. Não posso omitir que a oficina da qual eu participei foi espetacular, superando literalmente todas as minhas expectativas.
Na soma de todos os prós e contras o congresso ao meu ver foi muito enrriquecedor para minha formação e para minhas futuras pretensões na área acadêmica. Só o que me intrigou foi o fato de que em um  congresso que busca a democratização, a inclusão e formas alternativas de se pensar a comunicação, vi apenas um grupo seleto que tem acesso a informação, mais que na verdade mantém ela guardada, fazendo circular sempre que este lhe for necessário.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Estou contratado

Consegui! Hoje recebi a notícia de que fui aprovado no estágio. Fiquei durante uma semana sob avaliação na redação da TV Lance. Pretendo neste blog compartilhar com vocês um pouco de toda a angústia e superação que eu tenho passado e sei que vou passar ainda. Espero com esse blog, ajudar no futuro, pessoas que possam vir a passar pelas mesmas adversidades que eu tenho passado.

Primeiramente gostaria de dizer á todos os estagiários de primeira viagem, que estágio não é emprego! Deixem a insegurança de lado, esqueçam os medos e encarem de cabeça erguida, a experiência mágica que é o primeiro estágio. Digo isso, pois muitas vezes não fui à entrevistas de estágios, justamente por motivos como os acima sitados.

Só para vocês sentirem o drama, tenho 28 anos e nunca havia estagiado na minha vida. Sempre tive todas as desculpas e justificativas (que na minha visão eram totalmente plausíveis) para me paralisar e não encarar a realidade. No caso, a realidade se resumia a uma única palavra: MEDO! Isso mesmo caros leitores, o medo me impedia de encarar o desafio que é o primeiro estágio, não só o medo, mais todas as sensações psíquicas do meu “eu” não me permitiam dar este passo.

Hoje vejo que foi muito mais fácil do que eu poderia imaginar, enxergo também o quanto fui tolo e covarde por não ter me dado a oportunidade de tentar. Sempre me acovardei diante do desconhecido e fugi da verdade que estava na minha cara. Se eu disser que não sinto mais medo com certeza eu estarei mentindo. Mais posso afirmar com toda a convicção do mundo que é muito melhor sentir esse medo que eu estou sentindo agora, do que sentir o medo de outrora, que não me permitia lutar, apenas fugir!